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Todo torcedor é um consumidor vestido de paixão

Os clubes de futebol falam bem com a torcida, mas ainda não falam tão bem com seu torcedor.


Você sabia que, quando o futebol foi inventado em 1863, não existia a figura do goleiro e o toque com a mão era permitido por todos os jogadores? No decorrer dos anos, alterações como o impedimento, o árbitro, o travessão, o tempo de jogo, o pênalti, e finalmente o VAR e as cinco substituições, foram implementadas. E os torcedores, como se encaixam nessa história? C


omo os fãs do esporte estão mudando seu comportamento com o passar do tempo? Eis o tema do artigo da semana!


Em minhas buscas por conteúdos interessantes sobre o nosso meio, encontrei uma pesquisa bem esclarecedora a respeito do engajamento dos fãs nos EUA, intitulada “2022 Fan Engagement Study”. Realizada pela Sports Monitor, um braço da consultoria Kantar, ela busca analisar como o amante do esporte mudou (ou não) seu comportamento com o passar do tempo, principalmente após o Covid-19. Vamos dar uma olhada nos principais pontos?


Antes de abrir os detalhes desse estudo, nesse primeiro artigo para o Arena Hub, gostaria de falar sobre outros levantamentos da empresa que já havia coletado alguns dados interessantes sobre o comportamento do torcedor. Em agosto de 2020, após uma pausa forçada nos campeonatos em decorrência do começo da pandemia, 64% dos entrevistados concordara


m que assistir esportes estava mais chato do que antes. Talvez pela falta de público nos estádios e todos os protocolos de saúde. E 19% esperavam estar menos engajados com esportes no ano seguinte.


O clima para o mercado era de pessimismo total. No entanto, em março de 2021, quando os fãs começaram a voltar por conta da vacinação, esse último número caiu para 5%!


Além disso, atualmente, 73% dos torcedores veem a indústria de forma positiva, sendo que 94 dos 100 maiores eventos ao vivo no ano passado foram de esportes.


É o momento de comemorar? Bem, acredito que se tem uma coisa que aprendemos com a Covid-19 é que a vida é uma montanha russa. Atualmente, temos a guerra na Ucrânia e a inflação como grandes obstáculos, por exemplo.

Voltando ao “2022 Fan Engagement Study”, a pes


quisa foi realizada em todo o território americano em março deste ano, dois anos após o início do Covid-19.


Foram 4500 participantes acima de 12 anos, todos a


mantes de esportes de uma forma geral. Assuntos como apostas, o esporte feminino, justiça social, conteúdo e mídia, patrocínio e experiência do fã, entre outros, foram abordados. Apenas por questão de comparação, falando de toda a população norte-americana, cerca de 56% consideram-se amantes de modalidades esportivas, sendo que 50% deste número está nas novas gerações (Y ou Z).


Para 87% dos respondentes, “a vida segue” e precisamos tentar voltar ao normal apesar dos contratempos. No entanto, existem três grandes obstáculos para eles estarem presencialmente em uma partida: o


primeiro é lidar com torcedores barulhentos e mal-educados. Cerca de 73% acredita que quem ameaçar atletas verbalmente ou fisicamente deve ser banido dos jogos para sempre. Outro ponto é a segurança física, falando não só de briga entre fãs como também da pandemia. Por fim, a inflação (70%) pode ser um empecilho e esportes/shows aparecerem como os primeiros hobbies a serem cortados da planilha de gastos do mês. Isso sem falar no preço das bebidas e co


midas dentro do estádio.


Outro ponto abordado pelo estudo diz respeito à opinião do torcedor sobre o lado humano dos atletas. Para 77%, a saúde mental é o assunto mais delicado, lembrando que a ginasta Simone Biles e a tenista Naomi Osaka geraram grande repercussão sobre o tema recentemente. Falando de redes sociais, 55% gostam de ver conteúdo relacionado a vida pessoal dos ídolos, 38% dancinhas estilo TikTok e 36%, sessões de exercícios.


E o futuro do engajamento dos torcedores, o que nos reserva? Bem, 49% acredita que esportes não são legais como antes. Cerca de 70% das crianças pararam de jogar alguma modalidade por esse motivo. Para os pais, 64% acha que levamos os esportes “muito a sério”, 54% pensa ser muito ca


ro (viagens e itens de jogo), 43% vê neles uma distração dos estudos e 43% enxerga as competições como algo não saudável para seus filhos. Por fim, para 31%, é perigoso.


Esses foram apenas alguns números da extensa pesquisa realizada pela Sports Monitor. Acredito que, com tantas opções novas de hobbies proporcionadas pela tecnologia, está cada vez mais difícil convencer uma criança a brincar/gostar e esportes. Isso significa menos consumidores no futuro. E apesar do estudo ter sido feito com respondentes americanos, acho que podemos utilizá-lo como referência para outros países.


O que fazer? Tenho algumas sugestões!


Pergunte ao seu torcedor o que ele gosta e não gosta


. Pesquise! Crie atividades para os fãs mirins. Quem é da turma do futebol raiz dirá: “Ah, que coisa chata!”. Lulu Santos já havia nos alertado: “Tudo muda o tempo todo no mundo”. E isso inclui a torcida. Atualmente, qualquer ramo de empresa precisa saber lidar com diferentes tipos de clientes e com o futebol não vejo motivo para ser diferente.


E o seu time de coração, como percebe os diversos públicos?


Até a próxima!


Reginaldo Diniz - CEO da End to End Sports Intelligence Ltda para o blog Arena Hub.


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